Soja: aversão ao risco domina e mercado segue pressionado E-mail
Sex, 23 de Setembro de 2011 17:02

SOJA: AVERSÃO AO RISCO DOMINA MERCADO E SEGUE PRESSIONANDO

A aversão ao risco diante de temores de uma recessão econômica global ofuscou totalmente os fundamentos próprios do mercado futuro de soja. Segundo analistas, enquanto o pessimismo com o cenário macroeconômico perdurar, participantes devem dar continuidade à liquidação de posições, pressionando os preços na bolsa de Chicago (CBOT).

Ontem, investidores optaram por eliminar ativos de risco devido à preocupação de que a fraqueza econômica global vai durar mais tempo do que o esperado. Praticamente 100% das perdas foram atribuídas a fatores macroeconômicos. O contrato novembro despencou 37,50 centavos, ou 2,84%, para fechar a US$ 12,83 por bushel, após mínima intradia de US$ 12,81, menor valor em seis meses.

"Vejo uma preocupação excessiva dos participantes em tomar riscos. Poucos dias atrás achávamos que fosse pouco provável a cotação cair abaixo de US$ 13, e hoje isso é uma realidade. Como as economias não dão sinais de que podem se recuperar, a soja pode criar uma resistência nesse nível ", disse Samuel Garcia, da Hencorp Commcor.

O que evita perdas maiores na soja - como as que foram registradas pelo milho ou petróleo - ainda é a incerteza em relação à safra norte-americana e a expectativa de estoques apertados. Participantes estão ansiosos pelos resultados da produtividade da colheita, já que a safra terminou a temporada de plantio com o clima seco. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga no dia 12 de outubro suas novas estimativas para a produção norte-americana.

Mas esse temor com uma oferta menor não vem mostrando força suficiente para compensar o cenário externo. "Não tem como olhar para os problemas da safra com a situação econômica do jeito que está e o dólar se valorizando. Enquanto perdurar essa incerteza no mercado global, as liquidações em commodities vão continuar", disse Eduardo Sanchez, da FCStone, explicando que ontem fundos liquidaram 13 mil contratos de soja.

Para ele, o comportamento dos futuros em Chicago hoje vai depender da reação do mercado externo global depois das perdas generalizadas em vários ativos, mas deve ser difícil que a soja apresente uma recuperação. "Talvez a queda na soja não seja tão brusca", completou.

COTAÇÕES DO COMPLEXO SOJA NA BOLSA DE CHICAGO

     

  GRÃO  

     

  FARELO  

     

  ÓLEO  

     

  US$/bushel  

  cents  

     

  US$/ton  

  US$  

     

  (cents/libra)  

  pontos  

  nov/11

12,8300 

-37,50 

 out/11

330,90 

-9,00 

 out/11

53,68 

-136 

  jan/12

12,9425 

-37,25 

 dez/11

335,10 

-9,10 

 dez/11

53,94 

-140 

  mar/12

13,0225 

-36,25 

 jan/12

337,40 

-8,90 

 jan/12

54,21 

-138 

  mai/12

13,0800 

-35,25 

 mar/12

340,70 

-8,70 

 mar/12

54,55 

-134 

CBOT/Agência Estado


No mercado interno, os preços iniciaram o dia em Rondonópolis (MT) entre R$ 47 e R$ 47,50, com alguns negócios sendo fechados neste nível, segundo Sandro Pereira, da Dinâmica Corretora. Mas depois que o Banco Central interveio no mercado, os preços recuaram para R$ 46,50.

Em Mato Grosso do Sul, a indicação foi de R$ 45,50 a saca em Dourados e Campo Grande, R$ 1 a menos do que no dia anterior, mas Leon Davalo, da Granos, não viu negócios realizados.

EVOLUÇÃO DE PREÇOS NO MERCADO FÍSICO DE LOTES

  SOJA EM GRÃO - (R$ por saca de 60 kg) - no atacado  

     

  22/09  

  21/09  

  DIA  

  SEMANA  

  MÊS  

  12 MESES  

  Paranaguá

53,13 

53,82 

-1,28% 

+0,25% 

+7,68% 

+16,51% 

  Barreiras

45,90 

46,38 

-1,03% 

+3,15% 

+7,67% 

+14,18% 

  Ponta Grossa

50,62 

50,83 

-0,41% 

+2,70% 

+7,84% 

+12,14% 

  Passo Fundo

49,05 

49,69 

-1,29% 

+0,41% 

+3,20% 

+14,60% 

  Rio Verde

47,00 

47,00 

+0,00% 

+3,30% 

+7,55% 

+12,74% 

  Rondonópolis

45,54 

46,40 

-1,85% 

+1,20% 

+5,66% 

+10,64% 

  Triângulo Mineiro

48,50 

48,30 

+0,41% 

+1,78% 

+6,48% 

+11,34% 

  Oeste do Paraná

49,39 

49,46 

-0,14% 

+2,77% 

+9,46% 

+16,08% 

  Norte do Paraná

48,98 

49,22 

-0,49% 

+2,23% 

+7,98% 

+17,37% 

  Mogiana

48,00 

47,50 

+1,05% 

+2,13% 

+7,45% 

+12,60% 

  Ijuí

49,56 

50,44 

-1,74% 

+0,55% 

+4,23% 

+15,26% 

  Sorriso

42,92 

43,00 

-0,19% 

+3,55% 

+8,44% 

+13,37% 

  Sorocabana

48,80 

48,58 

+0,45% 

n/d 

n/d 

n/d 

  ESALQ - R$/saca

50,28 

50,61 

-0,65% 

+1,97% 

+8,13% 

+15,56% 

  DÓLAR

1,9100 

1,8450 

+3,52% 

+11,83% 

+19,15% 

+10,92% 

  FARELO PELLETS - R$/TONELADA  

  Campinas

660,33 

660,33 

21/09 

+1,97% 

+9,72% 

-2,46% 

  Chapecó

665,63 

665,63 

21/09 

+0,12% 

+5,70% 

-4,90% 

  Maringá

617,74 

620,38 

-0,43% 

-0,83% 

+10,06% 

-4,18% 

  Oeste PR

623,50 

623,50 

21/09 

+0,46% 

+11,51% 

+0,35% 

  Ponta Grossa

641,42 

641,42 

21/09 

+2,96% 

+8,97% 

+0,84% 

  Triângulo MG

670,34 

670,34 

21/09 

+2,36% 

+10,39% 

+2,78% 

  ÓLEO DE SOJA- SP R$/TONELADA  

  ICMS 12%

2413,41 

2372,93 

+1,71% 

+2,20% 

+6,83% 

+19,43% 

  ICMS 7%

2373,11 

2345,69 

+1,17% 

+0,88% 

+10,21% 

+19,92% 


Cepea/Agência Estado

MILHO: CONAB OFERTA 83 MIL TONELADAS NO PRÓXIMO DIA 29

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) volta a ofertar milho dos estoques públicos no dia 29. Serão 83 mil toneladas, sendo a maior parte - 63 mil toneladas - de Mato Grosso. O restante está armazenado em Minas Gerais (19,6 mil toneladas), Goiás (53 toneladas) e Rio Grande do Sul (502 t). No leilão de ontem (22), houve demanda para apenas 10,7% das 69,2 mil toneladas ofertadas, ou 7,460 mil toneladas. Segundo participantes, preços próximos dos de mercado limitaram a negociação.

Em Goiás, onde a oferta era de 2,085 mil toneladas, foram negociadas 2,032 mil t, ao preço de abertura, que era de R$ 24/saca. Em Minas Gerais, com oferta de 20,536 mil t, a procura foi por apenas 900 t, a R$ 27/saca, mesmo valor da abertura. Já Mato Grosso, onde estava concentrado o maior volume ofertado, de 46,6 mil toneladas, foram negociadas 4,5 mil toneladas, também ao preço de abertura, de R$ 19/saca. No mercado de lotes, Sorriso indica R$ 19,70/saca, Rio Verde (GO) R$ 25/saca, e o Triângulo Mineiro R$ 27,50/saca. Os preços para o leilão da próxima quinta-feira (29) devem ser anunciados na terça-feira (27).

Mesmo com oferta ajustada na maioria das praças, compradores não deixam as cotações subirem. A demanda, segundo participantes, é pontual e os vendedores também negociam na medida em que precisam fazer caixa para atender compromissos. A valorização do dólar nos últimos dias - ontem encerrou cotado a R$ 1,91, em alta de 3,52% - não chega a pressionar as cotações. Conforme corretores, isso só deve acontecer se o produto nacional perder competitividade e for destinado ao mercado interno. "Nesse caso não há motivo para que os preços estejam no atual patamar e o comprador pague mais caro", resume o corretor Amarildo Palma, da GD Corretora, de Dourados (MS).

Para ele, compradores também avaliam perspectivas de queda de preço neste final de ano. Isso depende das previsões para o desenvolvimento da safra verão, e o volume que tende a ser colhido, além da oferta de milho por parte de cooperativas do Sul do País, que antes da virada do ano terão de esvaziar armazéns para abrir espaço para os grãos de verão, em especial a soja.

No Mato Grosso do Sul milho é negociado a R$ 24/saca interior e a R$ 25/saca em Campo Grande, valores estáveis nas últimas semanas. O indicador Esalq/BM&F fechou o dia a R$ 32,47/saca, em alta de 0,71%.


EVOLUÇÃO DOS PREÇOS NO MERCADO FISICO

  MILHO - R$ / saca  

     

  22/09/2011  

  21/09/2011  

  20/09/2011  

  19/09/2011  

  16/09/2011  

  15/09/2011  

  Passo Fundo

  

28.77 

  

28.77 

28.60 

28.63 

  Chapecó

  

29.31 

  

  

29.35 

29.49 

  Paraná/Sudoeste

26.61 

26.61 

26.61 

26.61 

26.68 

26.92 

  Cascavel

  

25.91 

  

  

26.02 

25.91 

  Ponta Grossa

  

26.83 

26.83 

26.62 

26.60 

26.94 

  Paraná/Norte

  

26.09 

26.09 

25.64 

25.44 

25.82 

  Sorocabana

28.72 

28.80 

28.80 

28.71 

28.76 

28.59 

  Campinas

32.24 

32.40 

32.40 

32.13 

32.35 

31.95 

  Mogiana

29.54 

29.73 

29.76 

29.80 

29.72 

29.34 

  Triângulo Mineiro

  

27.76 

27.76 

27.59 

27.59 

27.84 

  Rio Verde

  

25.08 

25.08 

24.18 

24.83 

23.80 

  Sorriso

19.79 

19.49 

19.49 

19.31 

19.38 

19.57 

  Posto Recife

  

34.73 

34.73 

34.73 

34.73 

34.88 




Preocupação com a economia derruba preço para o menor nível em dois meses e meio

Não houve espaço para recuperação no mercado futuro de commodities agrícolas. Em mais um dia de vendas generalizadas, por conta das preocupações com a economia global, os preços do milho despencaram na Bolsa de Chicago (CBOT). Os futuros do milho atingiram o menor nível em dois meses e meio. Os contratos com vencimento em dezembro, os mais líquidos, fecharam em baixa de 35,75 cents ou 5,21%, cotados a US$ 6,50/bushel.

  Milho - Bolsa de Chicago (CBOT)   

  Cotação em dólar por bushel e variação em centavos de dólar  

  Contrato

 Máxima 

 Mínima 

 Anterior 

 Atual 

Variação 

  Dez/11

6,7350 

6,4750 

6,8575 

6,5000 

-35,75 

  Mar/12

6,8350 

6,6200 

6,9875 

6,6300 

-35,75 

  Mai/12

6,8800 

6,7050 

7,0625 

6,7075 

-35,50 

  Jul/12

6,9500 

6,7250 

7,0950 

6,7425 

-35,25 

Fonte: Informativo Agência Estado, broadcast / cepea Esalq

Colaborou: Marco Henrique S. Serra

Consultoria Agrofuturos

Maringá/PR (44) 3041-3635